Profissionais falam sobre produção e desenvolvimento de conteúdo transmídia.
TranscriçãoAndré Mermelstein, Diretor Editorial, Converge Comunicações: O Fórum Brasil acontece este ano em um momento muito especial da indústria. No final do ano passado foi aprovada a Lei 12.485 que muda o setor de TV por assinatura, abre espaço para novas operadoras e também impõe as cotas de programação nacional.
Manoel Rangel, Presidente, Ancine: A partir do dia primeiro de setembro nós teremos uma hora e dez por semana em todos os canais de televisão por assinatura de conteúdo brasileiro e teremos um canal brasileiro de espaço qualificado para cada nove nos pacotes. A partir do dia 13 de setembro desse ano nós passaremos a ter duas horas e vinte por semana em cada canal de conteúdo brasileiro e um canal para cada seis. E a partir do dia 13 de setembro de 2013 serão três horas e trinta por semana em todos os canais. Será um canal de espaço brasileiro em cada três canais de espaço qualificado.
Carla Ponte, Supervisora de Produção e Desenvolvimento de Conteúdo, Discovery LATAM: É um crescimento grande em termos de processo de trabalho que é um mercado novo e tem que se adequar a uma série de questões e etapas para que a gente possa realmente absorver industrialmente tudo que a gente tem que fazer, porque a partir de agora tem que produzir, mas sempre preservando o conteúdo e a qualidade que os canais internacionais sempre tiveram e vão continuar tendo.
Silvia Elias, Gerente de Conteúdo Nacional, Turner: Acho que agora o que mudou é ter uma linha de comunicação mais aberta e um canal de comunicação completamente franco e de coparceria, de coprodução. A gente tem uma demanda muito grande de conteúdo, então a gente precisa de profissionais preparados e realmente sem o cunho autoral e sem o cunho particular. Queremos produtoras que queiram trabalhar junto com a gente de forma correta, limpa, clara e objetiva, porque afinal de contas, temos um produto antes de qualquer coisa.
Daniela Mignani, Diretora, GNT: Da nossa parte como foi discutido hoje, a gente também precisa de desenvolvimento, de contratação, de reformatação, nosso modelo mental também muda, mas também não pode ser só da nossa parte. O mercado independente realmente precisa se estruturar para poder atender a demanda do número de horas que virá aí pela frente.
Roberto Martha, Diretor Sênior de Produção, Viacom: Já estamos trabalhando firme muito em relação a geração de conteúdo local, e esperamos que as produtoras cada vez mais apresentem projetos adequados a nossas grades, projetos relevantes para nossa audiência, projetos que tenham diferencial em relação aos outros projetos que estão no mercado. É o que esperamos da produtora, no final das contas o que queremos é levar conteúdo de qualidade para nossa audiência.
Alejandra Moreno, Gerente de Marketing, TV Globo: O mercado de audiovisual neste momento no mundo, em todos os continentes está bem agitado. Existem movimentos não só de tecnologia que abrem oportunidades para novos formatos, mas também desenvolvimento do TDT, Televisão Digital Terrestre, das smart TVs, dos aplicativos para internet, a chegada dos tablets, isso proporciona novas oportunidades até para o antigo conteúdo. O que a gente fala é que a nova tecnologia está trazendo mais olhos para o mesmo conteúdo.
Karen Michael, Commissioning Editor, Arte France: É um cenário muito dinâmico hoje em dia, ter diferentes plataformas. Não acho que seja um perigo para a televisão, há espaço para as duas coisas. Mas precisamos encontrar conexões em que os conteúdos permaneçam, mas de formas diferentes na internet e na TV.
Ottoni Fernandes Jr, Diretor Internacional, TV Brasil: Quem quiser atingir os jovens, tem de mudar sua linguagem, tem de pensar em uma nova plataforma. Cada vez mais serão os dispositivos móveis que vão atender a demanda de entretenimento da população mais jovem. São tablets, smartphones. Está havendo uma segmentação muito grande por faixa etária. Dependendo da faixa etária se vê de uma outra maneira. Acho que desvendar as tendências vai ser uma difícil tarefa de todo mundo que está ligado ao meio de televisão, de entretenimento.
Nuno Bernardo, Diretor Geral, beActive: Transmídia é a sobra de todas as partes. Os projetos transmídia que estou envolvido normalmente gostamos de juntar as novas mídias digitais com as mídias tradicionais. Nossos projetos normalmente envolvem rádio, revista, jornal. Ao mesmo tempo que envolve internet, aplicativos para celular e devices móveis.
Ricardo Mucci, Diretor, Umana: O transmídia é você contar, ter uma boa história e saber fragmentar essa história para distribuição, difusão dela em diversas mídias, sem perder a essência, o coração do seu personagem ou da sua proposta de conteúdo.
Adam Sigel, Escritor e Produtor: O que está acontecendo é que o público está exigindo que o conteúdo esteja disponível de maneiras que ele não tinha antes. É uma questão de quando e onde ele quer o conteúdo. E também o público quer poder compartilhar, discutir e se envolver no processo, usando redes sociais. Eu diria, portanto, que esses dois elementos são cruciais quando se pensa em transmídia. Se a sua peça transmídia não envolve isso, então provavelmente tem algo errado.
Manoel Rangel, Presidente, Ancine: A gente acredita que o Brasil tem um potencial imenso para ser um grande centro produtor de conteúdos audiovisuais e que ter um mercado interno forte e uma forte presença do conteúdo brasileiro e das empresas brasileiras nesse mercado interno nos qualifica para ter uma forte presença no mercado internacional.










