Profissionais falam sobre o impacto da nova Lei de TV por Assinatura para os programadores e produtores de conteúdo.
TranscriçãoMarcos Amazonas, Diretor, Grupo Bandeirantes: O mercado audiovisual brasileiro nesse momento passa por uma ebulição. Há uma nova legislação, não é uma revolução, porque a implicação nem é tão violenta assim, mas há uma grande mudança nos players e uma obrigatoriedade de canais internacionais a colocarem conteúdo nacional e tudo isso está fazendo com que esse mercado se agite muito e que vai crescer nos próximos anos.
Manoel Rangel, Presidente, Ancine: O que nós esperamos é que o mercado audiovisual brasileiro cresça, que o Brasil possa ser um grande centro produtor e programador de conteúdos audiovisuais. Que nós tenhamos mais empresas brasileiras dedicadas a programação e a produção, que elas sejam fortalecidas, tenham um diálogo de igual para igual com as programadoras internacionais e com as grandes empresas de comunicação.
Fernando Magalhães, Diretor de Programação, NET: Você vai ter um momento de competição no mercado de TV por assinatura maior com a entrada das teles, trabalhando não com DTH, mas com o cabo. O trabalho de negociação de conteúdo vai ficar mais divertido e do ponto de vista concorrencial, vamos ter um mercado que vai crescer e vai ter que nos forçar a ter melhores produtos, melhores custos para você poder ter uma competição bastante saudável no mercado.
Fábio de Sá Cesnik, Advogado, CQS Advogados: Tenho impressão que ganha um destaque especial esses mecanismos de incentivo e os fundos setoriais específicos da atividade audiovisual. E para que o mercado consiga fazer face a esse aumento de demanda, efetivamente esse impulso, tanto na linha de incentivo quanto na linha de fundos públicos, vai ser fundamental para que as empresas consigam cumprir as suas cotas e as produções sejam geradas.
Denise Gomes, Diretora, BossaNovaFilms: As produtoras batalharam muito pela nova legislação. Nós estamos através de todas as nossas associações de audiovisual, do Sindicatos, batalhando muito em Brasília para que ela fosse aprovada. Acho que finalmente a gente conseguiu aprovar. Problemas temos, temos muitos detalhes ainda, não tão detalhes assim, são detalhes importantes, mas acredito que agora o diálogo está aberto e é efetivo. Isso é uma vitória do nosso mercado independente.
Anthony Doyle, Vice-Presidente, Turner do Brasil: Já algum tempo a gente vem trabalhando com várias produtoras aqui no Brasil. Imagino que a tendência é de aumentar a procura, tanto do lado da programadora quanto da produtora, porque sempre fomos muito a favor de fazer o máximo de produções independentes com mais produtoras independentes possíveis. É uma coisa que a gente tem muito orgulho desses números e a gente não quer quebrar essa tendência em função dessa lei, simplesmente para cumprir cotas. Temos que dar uma chance para todas as produtoras no Brasil para poder fomentar o máximo de conteúdo nacional e dar visibilidade para eles em todos os nossos canais.
Kiko Mistrorigo, Diretor, TV Pinguim: O que produtora independente tem que entender é que é um momento importantíssimo e que temos que ter nossas responsabilidades com relação aos canais, que a gente tem que aprender a lidar com eles da melhor forma possível e entender o que cada canal está procurando. E os projetos agora vão ser escolhidos por um critério talvez um pouco mais justo, então a gente vai ter mais dinheiro, mais fundos de investimento, ou seja, estamos finalmente aplicando o que a gente viu fora do Brasil.
Manoel Rangel, Presidente, Ancine: O telespectador brasileiro ganha mais diversidade, mais pluralidade, ganha serviços de televisão por assinatura com preços menores, ganha maior qualidade na entrega desse serviço e verá tanto distribuidores do serviço quanto programadores disputando arduamente sua atenção. E ao disputar sua atenção, todos farão o melhor de si para entregar aos cidadãos aquilo que eles querem receber, aquilo que nós queremos receber em nossas casas.










